Há dias em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo.
O trabalho acumula-se, as preocupações não param, dormimos pior e até coisas simples parecem exigir mais esforço do que o habitual.
Sentir stress em determinados momentos faz parte da vida. O problema surge quando essa sensação deixa de ser pontual e começa a acompanhar-nos todos os dias.
E, muitas vezes, o corpo começa a dar sinais antes de percebermos que alguma coisa não está bem.
Stress e ansiedade são a mesma coisa?
Apesar de estarem relacionados, stress e ansiedade não são exatamente a mesma coisa.
O stress costuma surgir como resposta a uma situação concreta: uma fase mais exigente no trabalho, uma mudança importante, um problema familiar ou um período com demasiadas responsabilidades.
A ansiedade pode manter-se mesmo quando não existe um motivo imediato ou quando a situação que desencadeou a preocupação já terminou.
Em ambos os casos, o corpo pode permanecer num estado de alerta durante demasiado tempo.
Como é que o stress se manifesta no corpo?
Quando estamos sob stress, o organismo prepara-se para responder a uma situação que considera exigente.
Isso pode provocar alterações físicas e emocionais.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Tensão muscular, sobretudo na zona do pescoço, ombros e costas;
- Dores de cabeça;
- Cansaço persistente;
- Dificuldade em adormecer ou sono pouco reparador;
- Irritabilidade;
- Dificuldade em concentrar-se;
- Sensação de estar constantemente em alerta;
- Alterações do apetite;
- Palpitações ou sensação de coração acelerado;
- Problemas digestivos.
Nem todas as pessoas sentem os mesmos sintomas. E alguns destes sinais podem ter outras causas, pelo que não devem ser automaticamente atribuídos ao stress.
“Estou cansado porque tenho trabalhado muito.” Será só isso?
É fácil normalizar determinados sinais.
Dormir mal durante algumas semanas parece inevitável. Andar constantemente cansado passa a fazer parte da rotina. Ter os ombros sempre tensos torna-se “normal”.
Até que percebemos que já não sabemos como é estar verdadeiramente descansado.
O problema não está em ter períodos mais exigentes. O nosso organismo consegue adaptar-se a diferentes níveis de pressão.
A questão é quando a recuperação deixa de acompanhar as exigências do dia a dia.
Porque é que o stress pode afetar o sono?
Uma mente constantemente ocupada pode ter dificuldade em desligar.
Deitamo-nos cansados, mas começamos a pensar no que ficou por fazer, no que temos de resolver amanhã ou numa situação que nos preocupa.
E quanto mais tentamos obrigar-nos a dormir, mais difícil pode ser adormecer.
Uma noite mal dormida pode aumentar o cansaço e diminuir a capacidade de lidar com o stress no dia seguinte. Cria-se assim um ciclo que, quando se prolonga, pode começar a afetar significativamente o bem-estar.
O stress também pode provocar tensão muscular?
Sim.
Em situações de stress, é comum existir maior tensão muscular. Pescoço, ombros e costas são zonas onde muitas pessoas acabam por acumular essa tensão.
É também frequente apertar a mandíbula ou ranger os dentes sem se aperceber.
Por isso, nem sempre uma dor muscular recorrente deve ser analisada apenas do ponto de vista físico.
O corpo e a mente não funcionam em compartimentos separados.
O que pode ajudar a reduzir o stress no dia a dia?
Não existe uma solução universal. Mas algumas estratégias simples podem ajudar a criar melhores condições para recuperar.
Faça pausas reais
Uma pausa não é trocar uma tarefa de trabalho por dez minutos a olhar para o telemóvel.
Levantar-se, caminhar um pouco, respirar fundo ou simplesmente afastar-se durante alguns minutos daquilo que está a fazer pode ajudar a quebrar o ritmo de tensão.
Mantenha alguma atividade física
A atividade física pode contribuir para o bem-estar físico e psicológico.
Não é necessário começar imediatamente um plano de treino intenso. Caminhar, andar de bicicleta, nadar ou praticar uma atividade de que goste já pode ser uma forma de introduzir movimento na rotina.
Dê atenção ao sono
Tentar compensar uma semana inteira de noites mal dormidas ao fim de semana nem sempre resolve.
Manter horários de sono relativamente regulares e criar uma rotina mais tranquila antes de deitar pode ajudar.
Não tente resolver tudo sozinho
Falar sobre aquilo que nos preocupa pode ser importante.
Conversar com alguém de confiança pode ajudar a organizar pensamentos e a diminuir a sensação de estar a lidar com tudo sozinho.
Quando as dificuldades persistem, o acompanhamento psicológico pode ser uma ferramenta importante.
Quando é altura de procurar ajuda?
Não é preciso esperar até chegar ao limite.
Se sente que o stress ou a ansiedade estão a interferir regularmente com o sono, trabalho, relações pessoais ou qualidade de vida, procurar ajuda pode ser um passo importante.
O mesmo acontece quando sente que já tentou várias estratégias, mas continua sem conseguir recuperar ou lidar com determinadas situações.
Um psicólogo pode ajudar a compreender melhor aquilo que está a acontecer, identificar padrões e desenvolver estratégias adequadas à situação de cada pessoa.
Cuidar da saúde também é perceber os sinais
Nem sempre o corpo avisa de forma dramática.
Às vezes, começa com noites mal dormidas. Depois vem o cansaço. A tensão no pescoço. A dificuldade em desligar. A irritabilidade.
E, quando damos por isso, aquilo que começou como uma fase mais exigente tornou-se o nosso novo normal.
Na Clínica Operário, o acompanhamento psicológico é realizado de forma individualizada, tendo em conta a realidade, as dificuldades e os objetivos de cada pessoa.
Porque cuidar da saúde não significa apenas tratar aquilo que dói.
Também significa perceber quando precisamos de parar, ouvir o corpo e pedir ajuda.
